BRASÃO DE ARMAS DA ARLEC

BRASÃO DE ARMAS DA ARLEC

 


      O Brasão de Armas da ARLEC é uma insígnia, cuja importância simbólica é de muito valor. As diversas cores e os símbolos nele estampados identificam a filosofia, o objetivo e a finalidade de uma Instituição voltada às letras e à cultura de uma entidade ou organização.

       É essencial entregar àqueles que nos sucederem o magnifico acervo das tradições e costumes da nossa ACADEMIA.

       E quando uma Instituição decide criar seu símbolo, como o faz a Academia Rio-pretense de Letras e Cultura – ARLEC, através do Acadêmico Alberto Gabriel Bianchi supervisionado pelos Artistas Plásticos e Acadêmicos Araguaí Garcia e Maria Helena Curti que na presença da nossa Ilustre Acadêmica e presidente da Academia Rosalie Gallo Y Sanches bem como dos Ilustres Acadêmicos, José Luiz Baltazar Jacob, Wilson Daher, Alberto Gabriel Bianchi, Waldner José Lui, Maria Helena Curti, Cecilia Demian e Antonio Florido em Sessão Ordinária do dia 03 de maio de 2017, realizada na casa do Acadêmico José Luiz Baltazar Jacob localizado no Condomínio Monte Carlo, conforme Ata nº 36, foi aprovado por unanimidade o novo Brasão da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura.

       Que seja feito um registro cuidadoso em Cartório de Registro de Títulos e Documentos para permitir à posteridade compreender perfeitamente suas razões e objetivos. Toda e qualquer Instituição precisa de um símbolo seu.

       Nas palavras do Dr. Whitney Smith, eminente vexilólogo, “...a ação cooperativa, em qualquer sociedade, requer comunicação; esta por sua vez, depende de um discurso comum. Símbolos de todos os tipos incluindo bandeiras, estabelecem princípios de relações entre indivíduos numa sociedade, entre estes e outras sociedades e entre todos os seres humanos e os campos da natureza e do espírito”. Quer dizer, um símbolo deve comunicar, deve ser compreendido, ao menos pelos componentes da Instituição, para eficientemente representa-la.

       Quais foram os motivos que conduziram nossa atual diretoria à mudança?

- Primeiro: a insuficiência representativa do símbolo anterior;
- Segundo: conseguir representar de modo facilmente compreensível, a natureza e os objetivos da Academia;
- Terceiro: ter um símbolo de nossa exclusiva e inequívoca propriedade, passível de registro legal como será feito.
- Quarto: o nosso Brasão de Armas está composto para levar a todos os cantos da Terra onde quer que seja visto, o nome Academia Rio-pretense de Letras e Cultura – ARLEC, que tem sido exemplo de dedicação e sua determinação em levar à comunidade Rio-pretense e ao mundo o grandioso trabalho que vem sendo desenvolvido. Foi escolhido o escudo "somático" ou "semnítico" que é mais apropriado para a heráldica francesa, que dele muito se utiliza.

       Foi feito na forma de um quadrilongo, com um ângulo obtuso no seu vértice inferior, como a maioria dos Brasões.

       Em curva, folhas de louro verdes contornando os flancos direito e esquerdo e, na parte inferior do Brasão, simbolizando esperança e liberdade.

Símbolo de distinção e glória na Grécia Antiga, o louro era utilizado na confecção de coroas dadas aos vencedores. Este milenar símbolo da vitória ganhou forma de joias.

       O todo vem sustentado pela palavra “Verba volant, scripta manent”, um provérbio em latim que traduzido literalmente significa: “palavras faladas voam para longe, palavras escritas permanecem” ou “as palavras voam, os escritos ficam” ou simplesmente “as palavras voam, mas permanecem quando escritas” (escolhidas pela Academia e que são usadas em seus documentos oficiais).

       Chegamos assim à essência do novo Brasão.

       Peço vênia aos heraldistas profissionais pelo meu pouco conhecimento desta arte para que nosso Brasão de Armas, em linguagem heráldica possa ser assim descrito: O foco da heráldica moderna é o brasão, cujo elemento central é o escudo. É no escudo que se apresentam os principais símbolos identificadores da família ou instituição (que é nosso caso).

       O Brasão de Armas da ACADEMIA, em termos de heráldica, pode ser assim descrito:

       A Coroa mural que o sobrepõe é o símbolo universal dos brasões de domínio que, sendo de argenta, de oito torres das quais apenas cinco são visíveis no desenho. As duas das extremidades estariam dando volta para a parte de trás e as portas das torres são pintadas em sables para que fique claro que são portas. Classifica a cidade representada na Segunda Grandeza, ou seja, sede de Comarca (no caso, São José do Rio Preto – SP).

       Torres eram utilizadas nos brasões de armas da época feudal para exprimir a expansão do reino e em nosso Brasão exprime a expansão do nosso ideal no campo das letras e da cultura.

       Portas - Uma porta em cada uma das torres, sendo que nas torres das extremidades ela é desenhada pela metade. As portas são pintadas de sables. Não há padrão para a forma do desenho das portas. O importante é que sejam reconhecidas nitidamente.

Sobre o escudo as oito Torres, com cinco, em perspectiva significando que sua categoria administrativa é de sede de comarca em campo de prata e seus tijolos contornados em sables.

       Encimando o todo vem inscrito em curva o grito de guerra, com letras brancas e contornos em sables: Academia Rio-pretense de Letras e Cultura. "Escudo semnítico,encimado pela coroa mural de oito torres, em campo de argente”.

       Escudo quadrilongo todo contornado em sables, tendo a parte superior, em branco, simbolizando a forma e a pureza da conduta dos seus membros, sua faixa central com duas linhas em sables e o miolo em branco, com dois cantos inferiores arredondados e uma pequena ponta na base formando um ângulo obtuso (foi introduzido, primeiro, na França, este formato de escudo tornou-se o tipo mais usado na Europa e nos países de influência europeia, durante o século XIX) e que representa a riqueza do Brasil e a grandiosidade da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura, simboliza, ainda, a justiça, nobreza, perseverança, zelo e lealdade.

O escudo vem ladeado por ramos de louros em sinopla ou esmeralda, simbolizando a vitória.

       É um Escudo quadrilongo com fundo branco (simbolizando a forma e a pureza dos Acadêmicos das letras e da cultura).

       No centro do Chefe, descansam em campo branco o emblema da Swift, de São José do Rio Preto em branco e contornos em sables e grifado por um traço em gules lembrando as cores de São José do Rio Preto e simbolizando nossa cidade nos áureos tempos do crescimento industrial e atualmente com seu imponente teatro Paulo Moura, com capacidade para novecentos e dezesseis lugares. Dedicado às artes e as letras do nosso povo. ARLEC, sigla da Academia escrita logo abaixo, em letras de sables: Academia Rio-pretense de Letras e Cultura.

       Entre duas barras (uma listra horizontal ou faixa) em sables dividindo o escudo, está a Certidão de nascimento da entidade: FUNDADA EM 31 DE JULHO DE 2008, escrita em sables.

       Descansa, também, um livro aberto, uma coruja e uma pena em campo de gules, no centro da Ponta ou Contra Chefe: Livro aberto: símbolo da ciência e da sabedoria.

       Vem exposto com contornos em blau e folhas em branco significando que estamos escrevendo a história da Academia. O livro é, sobretudo, se o projetarmos a um grau mais elevado, o símbolo do universo: o universo é um imenso livro. E se o universo é um livro, e o livro é a Revelação, portanto, por extensão, é também a manifestação. Sobre o livro à sinistra, uma Pena: História da Escrita. (Observação: Não podemos dizer com segurança que o homem do neolítico tenha formado uma civilização, porque este termo é mais abrangente).

       Baseados na importância da escrita, esta divisão ficaria assim dividida a história do homem: em “antes da escrita”, ou seja, pré-literária ou “depois da escrita” ou pós-literária. Com isto faz-se uma profunda divisão, muito apropriada entre o que é civilizado e o que é somente cultural. Assim diremos que o homem neolítico, pré-literário, tem cultura e que os egípcios ou sumérios, no “pós-literário” têm uma civilização Foi na idade da pedra (30.000 anos A.C.) que os seres humanos começaram a se destacar como animais racionais, pois dentro das cavernas onde viviam começaram a se comunicar fazendo desenhos e símbolos nas paredes.

       Mais a frente faziam placas de argila úmida e nelas estampavam seus rabiscos e desenhos, sendo que poderiam levar para outro lugar.

Aproximadamente no ano 4.000 A.C. na Babilônia, o povo fazia, tudo aquilo que expressavam através de símbolos. Suas escritas eram ainda nas placas de barro, mas não mais executavam com os dedos das mãos, e sim com tiras de madeira pontiagudas (geralmente lascas de bambu).

Mais a frente os Egípcios inventaram o primeiro tipo de papel que era o papiro muito frágil e precisava ser bem conservado, pois facilmente podia estragar. Assim foi criada uma tinta a base de plantas e escreviam nesses papiros com lascas de ossos molhados nesta tinta.

Estes mesmos Egípcios logo adiante criaram o pergaminho, que era feito de pele de animal (geralmente de pele de Carneiro) e substituíram os ossos por penas de Aves (sendo que as mais usadas, por serem mais resistentes e duráveis, eram as de Ganso).

       No Século XVII, foram inventadas as primeiras penas metálicas, substituindo as penas de aves, que para as pessoas que escreviam constantemente desgastava muito rapidamente.

       Outro motivo da criação das penas metálicas foi para que pudessem escrever com vários tipos de letra (mais finas ou mais grossas).

Até o século XIX se escrevia molhando as penas metálicas na tinta. Para quem escrevia bastante era desgastante molhar a pena, inúmeras vezes para completar o que estava escrevendo, então surgiu a ideia de fabricar uma caneta que tivesse um reservatório de tinta, assim as pessoas podiam escrever mais rápido, pois não precisavam molhar a pena a todo momento no vidro de tinta.

       Ainda sobre o Livro no alto e no centro, uma coruja.

       Coruja: Ave noturna relacionada com a Lua, não consegue suportar a luz do Sol e, nesse particular, opõe-se, portanto, à águia, que recebe esta mesma luz com os olhos abertos. Guénon observou que se podia ver neste aspecto, assim como na relação com Atena-Minerva, o símbolo do conhecimento racional – percepção da lua (lunar) por reflexo, em oposição ao conhecimento intuitivo – percepção direta da lua (solar). A coruja, ave de Atena, simboliza a reflexão que domina as trevas. Considerada a “águia da noite”, é símbolo da vigilância, da meditação e da capacidade de enxergar nas trevas. Simboliza também a sabedoria, por influência da mitologia grega, tanto que Atena, deusa da guerra e da sabedoria, tinha uma coruja como mascote.

Os gregos consideravam a noite como o momento do pensamento filosófico e da revelação intelectual e a coruja, por ser uma ave noturna, acabou representando essa busca pelo saber.

       “Assim, a coruja segue o estereótipo do sábio, que geralmente é tido como alguém mais preocupado com as divagações interiores que com a aparência externa”, diz o helenista (estudioso da civilização grega) Antônio Medina Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP). Mas não foi em todas as culturas que o animal se transformou em símbolo de inteligência.

       A coruja simboliza a reflexão, o conhecimento racional e intuitivo. Na mitologia grega, Atena, a deusa da sabedoria e da guerra, tinha a coruja como símbolo. Atena ficou tão impressionada com a aparência da coruja, que a tomou como sua ave favorita. Ela é também escolhida como mascote dos escoteiros, cursos universitários de Filosofia, Pedagogia e Letras.

       A coruja tem a particularidade de conseguir girar o pescoço, quase atingindo um ângulo de 360º, para observar algo ao seu redor, permanecendo com o resto do corpo sem o menor movimento. O que amplia seu angulo de visão, muito superior ao do ser humano. Sua grande capacidade de visão e audição as torna exímias caçadoras. A coruja é destaque nas mais diferentes culturas:

       África do Sul: A coruja é a mascote do feiticeiro zulu. E no xamanismo é reverenciada por enxergar a totalidade.

Brasil: Matita Perê é uma velha vestida de preto, com os cabelos caídos pelo rosto. Diz a lenda, que ela tinha poderes sobrenaturais e preferia aparecer nas noites sem luar, sob a forma de uma coruja.

       França: A coruja é o símbolo de Dijon, cidade francesa. Há uma escultura de coruja na Catedral de Notre Dame, e quem passa a mão esquerda nela ganha sabedoria e felicidade.

       Grécia: Os gregos consideravam a noite o momento propício para o pensamento filosófico. Por sua característica noturna, era vista pelos gregos como símbolo da busca pelo conhecimento. Elas faziam seus ninhos na Acrópole, e os gregos achavam que sua visão noturna vinha de uma luz mágica. Ela era símbolo de Atenas, ao lado dos exércitos, na guerra. As antigas moedas gregas (dracmas) tinham uma coruja cunhada no verso.

O todo vem sustentado por um listel em jaldes com os dizeres “VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT”, em letras de sables, um provérbio em latim que traduzido literalmente como “palavras faladas voam para longe, palavras escritas permanecem” ou “as palavras voam, os escritos ficam” ou simplesmente “as palavras voam, mas permanecem quando escritas” (escolhidas pela Academia e que são usadas em seus documentos oficiais).

       O significado do símbolo poderia ser considerado complexo, entretanto, nossa Academia tem um apreço imenso pela Cultura e pelas Letras, por isso fomos buscar nos símbolos a forma completa das nossas tradições, fincando para sempre nossa marca nos anais da cidade de São José do Rio Preto e do mundo.

Assim através do respeito aos notáveis Acadêmicos fundadores em 31 de julho de 2008, Paulo Coelho Saraiva, Antonio Florido, Antonio Carlos Del Nero, Waldner José Lui, Jayme Amaral, Cecilia Demian, Alberto Gabriel Bianchi, João Roberto Saes, Jayme Signorini e Agostinho Brandi, deste sodalício que prepararam para o futuro da nossa educação e cultura através da nossa Instituição um caminho seguro para a evolução da nossa região bem como para todos os brasileiros.

Buscamos aperfeiçoar-nos no conhecimento das Letras e da Cultura com nossa participação ativa nas reuniões onde nos congregamos para adquirir conhecimentos, num exemplo verdadeiro de fidelidade e compromisso de auto aperfeiçoamento, demonstrando nosso interesse não só pela Academia e sim pela sociedade como um todo.

Alberto Gabriel Bianchi – cadeira nº 44 – Primeiro Secretário da Academia.

Fontes de Pesquisa:
Dicionário de Símbolos, Jean Chevalier e Alain Gueerbrant, da José Olympio Editora.
Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
Dicionários de heráldica.


Cores tradicionais na heráldica:
Azul: Blau ou Azure
Vermelho: Goles, Gules ou Rubi
Preto: Sable
Verde: Sinople ou Vert
Argenta: prata
Jaldes: ouro, dourado.
Purpura: Purpure


Setembro de 2019
Alberto Gabriel Bianchi – cadeira nº 44

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